Wrath of Dragons – Análise

Informações Básicas

Nº de jogadores: 2 – 6

Idade: 8+ (informação da caixa, mas recomendamos pelo menos 12+)

Duração: 90 min

Ano de lançamento: 2015

Criador:Keith Rentz

Arte: Matt Stawicki e Kristen Plescow

Tema: Dragões

Mecânicas: Administração de Cartas e Alocação de Trabalhadores

Página no BGG: https://boardgamegeek.com/boardgame/181122/wrath-dragons

Página na Ludopedia: http://www.ludopedia.com.br/jogo/wrath-of-dragons

Quão terrível pode ser a fúria de um dragão?

As lendas e histórias contam que o mundo antigo era povoado por criaturas sobrenaturais e perigosas, mas nenhuma delas era tão temida e odiada quanto os Dragões.

Essas bestas aladas queimavam os campos com seus hálitos de fogo, saqueavam tesouros, devoravam os rebanhos, sequestravam nobres e destruíam vilas e cidades inteiras com seu poder.

Isso é exatamente o que você vai fazer nesse jogo!

Em Wrath of Dragons, cada jogar será um dragão que ao longo de seis séculos, irá utilizar todas as suas armas para devastar o mundo antigo e se tornar o mais temido dragão do mundo antigo, tendo seu nome gravado a fogo para sempre na história e nas lendas.

 

Componentes

Apesar do tema não dever em nada para os jogos “ameritrash”, Wrath Of Dragons é um jogo Euro e você já nota isso ao abrir a caixa e encontrar um montante de peças de madeira (inclusive alguns cubinhos).

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Seria um “eurotrash”?

A maior parte do tabuleiro representa o mapa do mundo antigo separado em seis regiões: Britannia, Scandia, Gothia, Slavia, Germania e Gallia, respectivamente nas cores vermelho, azul, preto, laranja, branco e verde. O hex de ação fica bem ao centro do mapa.

A parte superior e reservada para as vilas e cidades de cada uma das regiões. Na parte inferior fica a trilha onde entrarão as cartas de regiões/ações.

A parte mais a esquerda do tabuleiro e divida em duas. Na superior ficam as ações disponíveis para serem executadas em cada rodada, o espaço para o marcador de século e seis espaços para o recurso “campo”. A cada novo século uma nova ação fica disponível e um novo campo entra em jogo.

Na parte inferior do lado esquerdo fica o estoque de gado, ouro e nobres.

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Setup montado para uma partida com cinco jogadores.

Além do tabuleiro e das peças, cada jogador irá escolher uma carta de dragão dentre os seis disponíveis (vermelho, azul, preto, laranja, branco e verde) e pegar seu escudo de covil, seu meeple, quatro cubos de evolução/marcador de vida e as duas cartas de hex da mesma cor do dragão escolhido.

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Meeple de dragão, carta de dragão e cubos para marcação de pontos de vida e evolução, cartas de hex (uma começa ativa e você ganha outra ao atingir a terceira evolução) e escudo de covil.

 

Com essa passada geral nos componentes, já posso apontar o que acredito ser as duas coisas que mais me incomodaram nesse jogo, mesmo eu gostando muito dele.

Primeiro ponto, achei os componentes muito genéricos dando a sensação de terem sido utilizados os componentes prontos de outros jogo, por exemplo, as vilas e cidades do Catan, os meeple padrões do Carcassone, as ovelhas do Agricola… Enfim, o jogo tem a temática bem amarrada e acredito que merecia componentes com maior personalização.

Segundo ponto, as cores. Cada região é representado por uma cor, do mesmo modo que cada dragão. Como cada dragão tem a cor de uma região, a primeira vista os jogadores podem confundir que seus dragões tenha alguma ligação ou regra especial no que se refere à região espelho, mas isso não é verdade. A cor do seu dragão não tem nada a ver com a cor da região respectiva, logo ou os dragões ou as regiões poderiam ter cores diferentes para não gerar essa confusão…

O Jogo

Wrath of Dragons é jogado ao longo de seis séculos no qual os jogadores buscam acumular uma série de recursos que serão utilizados para pontuação no final do último século. Aquele com maior pontos é declarado o mais terrível e infame Dragão e o vencedor do jogo.

Cada século é jogado em um turno, divido em quatro fases:

  • Fase de Crescimento dos Assentamentos: Pule essa fase no primeiro século. Aqui você deve mover o marcador de século para o seguinte, comprar um número de cartas equivalente ao número de jogadores + 1. Use o verso das cartas para crescer aldeias, vilas e cidades na região correspondente (nos três primeiros séculos elas crescem de tamanho uma vez e nos três últimos séculos elas crescem duas vezes). Após o crescimento, vire a carta revelando a ação dela. Por fim, use a carta do topo do deck para direcionar a seta do hexágono central para aquela região e coloque no tabuleiro cada um dos quadro recursos indicados no hexágono na região correspondente.
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Acima o verso das cartas mostrando a região onde ocorrerá o crescimento de assentamentos. Abaixo a frente das cartas que serão usadas como ações. Uma carta com o verso de uma região, não necessariamente terá uma frente com uma ação da mesma região.

  • Fase de Despertar: Pule essa fase no primeiro século. No despertar, cada dragão aumenta seu marcador de vida em 1 (isso pode ser alterado com evoluções). Começando com o jogador que detém o marcador de primeira ação de covil, cada jogador compra 2 cartas e depois descarta uma carta da sua mão. Você não pode descartar sua carta de hex inicial nessa fase.
  • Fase de Covil: Começando pelo jogador que tem o marcador de primeira ação de covil, cada jogador seleciona uma das possíveis ações disponíveis para realizar naquele turno. A maioria dessas ações gira em torno de pegar recursos ou cartas, mas o diferencial aqui é poder pegar o marcador de primeira ação de covil, o marcador de primeira ação de ataque ou o marcador de dragão seguro. Cada vez que uma ação é selecionada, ela não pode ser selecionada novamente por outro jogador (o manual não fala nada, mas em nossas jogatinas usamos o meeple do dragão para marcarmos a ação que escolhemos naquele turno e facilitar a lembrança de quais ações já foram escolhidas). Após todos os jogadores terem selecionado uma ação, cada jogador seleciona uma das cartas reveladas na trilha, começando pelo jogador com o marcador de primeira ação de covil. Todos os recursos ganhos nessa fase são colocados atrás do seu escudo de covil.
  • Fase de Ataque: Começando pelo jogador que tem o marcador de primeira ação de ataque e seguindo pelos jogadores a esquerda, cada jogador seleciona uma região não ocupada por outro dragão e aloca seu dragão nela. Após todos terem alocado seus dragões, o jogador com o marcador de primeira ação de ataque seleciona quantas ações ele quiser/puder executar na ordem que ele preferir. Qualquer recurso adquirido nessa fase fica sobre a carta de dragão do personagem para uma possível evolução. Uma vez executada todas as ações, o dragão daquele jogador retorna para seu covil e ele esconde seus recursos atrás do escudo de covil e passa a vez para o próximo jogador. Três ações são possível nessa fase:
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Dragões prontos para devastar o mundo antigo.

  • Jogar cartas de ação
    • A maioria das cartas de ação possuem o nome e a cor de uma das seis regiões, outras cartas são genéricas e podem ser usadas em qualquer região. Para você jogar uma carta de ação, você deve estar com seu meeple de dragão naquela mesma região. Cartas de ação servem normalmente para coletar um recurso (campo, gado, ouro ou nobre) ou para atacar um assentamento. Existem ainda algumas cartas de evento que fazem você recuperar a vida do seu dragão ou que te permita comprar mais cartas, etc…
    • Para atacar uma aldeia, você deve gastar uma carta de ação com o símbolo do dragão e tomar um de dano. Para atacar uma vila você deve usar dois símbolos de dragão e tomar dois pontos de dano e para atacar uma cidade você usa novamente dois símbolos de dragão, mas sofre três pontos de dano. Você está impossibilitado de atacar qualquer assentamento se isso for reduzir a vida do seu dragão para zero, da mesma forma que você não pode atacar uma região que não possua assentamentos.
  • Gastar Recursos
    • Gastar recursos permite você fazer diferentes ações, dependendo do recurso gasto. Você pode gastar recursos que estejam no seu covil ou recém adquiridos a sua escolha. Para cada ovelha que você gastar no seu turno, você pode mover seu dragão para uma região adjacente. Ele pode passar por regiões ocupadas por outros dragões, mas deve pousar em uma região vazia (a menos que possua o marcador de dragão seguro). Se você gastar um campo, você pode comprar duas cartas e descartar uma carta da sua mão. Se o recurso gasto for um nobre, seu dragão recupera dois pontos de vida. Para cada ouro gasto, você pode virar hexágono central uma vez para a direita ou para esquerda. Você ainda pode descartar cartas e recuperar um ponto de vida do seu dragão para cada carta descartada dessa forma.
  • Usar a ação do Hex Central.
    • Usar a ação do hexágono central te possibilita jogar sua carta individual de hex e executar a ação da região correspondente como se você tivesse mais uma carta na mão com aquele mesmo símbolo de ação na região. Por exemplo, uma região que esteja com o símbolo do dragão voltado para ela pode ter uma cidade destruída usando a ação do hex central + uma carta com símbolo de dragão da região correspondente (desde que o dragão tenha vida suficiente para isso é claro). Em uma região que esteja voltada para o símbolo de gado, e tenha gado disponível nela, você pode usar a ação do hex central para coletar aquele recurso.
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De cima para baixo e da esquerda para direita: Hex central, marcador de primeira ação de covil, marcador de primeira ação de ataque, marcador de dragão seguro e marcador de terrível.

  • Ao final do seu turno de ataque, seu dragão pode evoluir se completar um dos seguintes requisitos: destruir três vilas, destruir uma cidade ou coletar qualquer combinação de quatro recursos entre campo, gado, nobre e ouro. E possível ter três evoluções durante o jogo, entre elas aumentar seus pontos de vida ou regenerar dois pontos ao invés de um na fase de despertar, ganhar um movimento do seu dragão ou um movimento do hex central sem gastar o recurso e ganhar a liberação para usar sua segunda carta de hex.

PONTUAÇÃO DE FINAL DO JOGO

Ao final do jogo cada jogador pode pontuar por diversos meios:

  • 1 PV por cada cor de assentamento que tiver em seu covil, ou seja, se você atacou e destruiu aldeias, vilas ou cidades em três regiões diferentes, não importando quantos assentamentos foram, você irá ganhar 3 PV;
  • 4 PV extras se tiver pelo menos um assentamento de cada cor;
  • 3 PV se tiver escolhido a ação de pegar o marcador de Terrível no sexto século;
  • 1 PV por cada cidade que tenha destruído;
  • Em cada um dos quatro recursos o jogador que tiver coletado mais daquele; determinado recurso ganhará 5 PV e o segundo que tiver coletado mais ganha 2 PV. Em caso de empate somam-se os valores e divide-se os pontos arredondado para baixo.
  • Em cada uma das seis regiões, o jogador que tiver coletado (o mesmo que destruído) a maior quantidade de assentamentos ganha 6 PV e o segundo colocado ganha 3 PV. Em caso de empate somam-se os pontos e divide-se pela metade arredondado para baixo. Vale apontar que para essa contagem, cada aldeia vale um ponto, cada vila (que são duas aldeias) valem dois pontos e cada cidade vale três pontos para considerar a maioria.
  • O vencedor será aquele com a maior quantidade de pontos, sendo que os critérios de desempate são: o dragão que tiver o maior números de evoluções, permanecendo o empate o dragão que terminou o jogo com maior quantidade de pontos de vida e permanecendo os empatados compartilham a vitória.

 

Considerações Gerais

Desde a primeira vez que eu li a tradução de uma resenha de Wrath od Dragons na Ludopedia, antes mesmo do jogo ser lançado, ele já entrou na minha lista de desejos e eu tirei a sorte  grande de ter uma madrinha de casamento nos Estados Unidos que pegou o jogo para mim na data do lançamento.

Depois de jogar algumas partidas posso afirmar que o jogo superou minhas expectativas!

Wrath of Dragons é um euro médio para leve, mas como sou um RPGista incurável, consigo imergir de cabeça no tema me divertindo muito fazendo meu dragão aterrorizar o mundo antigo.

A duração do jogo é perfeita, pois você consegue pensar sua estrategia ao longo dos seis séculos e correr atrás da desvantagem caso tenha tomada alguma decisão errada no início do jogo, sendo que a pontuação final termina quase sempre bem apertada, já que na grande maioria dos jogos o sexto século termina com quase todos os recursos exauridos do tabuleiro, afinal são dragões devastando o mundo. Dragões!

O que eu mais gosto no jogo é o fato de existirem dois “first players”, um na fase de covil e outro na fase de ataque. O primeiro tem a vantagem de escolher a ação que quiser e ainda escolher a carta da trilha que melhor lhe convêm antes dos outros. O segundo tem a prioridade em posicionar seu meeple de dragão na região que irá terá a melhor performance das suas cartas. Dependendo do lugar na mesa onde os marcadores estão é preciso correr para conseguir um dele e evitar não ser muito prejudicado. Em nossas jogatinas, esses marcadores mudam bastante de dono ao longo do jogo.

O fato de você poder utilizar recursos para mover seu dragão, mover o hex central e comprar cartas também proporciona uma dinâmica interessante, permitindo a criação de combos inesperados por seus adversários. Todavia, essa ação faz com que você gaste recursos valiosos que poderiam lhe ajudar a pontuar no final e por isso buscar o equilíbrio é a chave para a vitória.

Algumas pessoas podem se incomodar com a sorte envolvida na compra das cartas, mas existem diversas formas de você controlar essa sorte, como por exemplo sendo o primeiro a jogar na fase de covil e escolhendo uma carta de ação entre as disponíveis antes dos demais, ou usando campos para comprar mais cartas.

Levando tudo isso em consideração, Wrath of Dragons é um jogo que eu fortemente recomendo!

ps. o jogo tem um modo cooperativo em que os jogadores devem destruir completamento o mundo antigo exaurindo todos os recursos em conjunto. Como não jogamos essa variante, não sou capaz de opinar! kkkkkk

Prós:

– Euro game com temática fortemente amarrada ao tema.

– Mecânica de dois “first players” confere uma dinâmica unica para o jogo.

– Curva de aprendizado baixa.

– Pontuação acirrada.

Neutro:

– Sorte ao comprar cartas de ação.

– Dragões poderiam ter habilidades diferentes.

– Melhor experiência com 5 jogadores.

Contra:

– Componentes, apesar de serem de boa qualidade, parecem ser um apanhado de outros jogos.

– Cores de dragões e assentamentos iguais, mas sem ligação com a mecânica do jogo pode confundir os jogadores.

Review Por: Kalagar

kalagar

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